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"Só quero ir em paz": O depoimento final da jovem espanhola que obteve direito à eutanásia

Após 601 dias de disputa judicial com o pai, Noelia morreu nesta quinta-feira (26) amparada pela legislação espanhola.

 : reprodução/Antena 3

A espanhola Noelia Castillo morreu nesta quinta-feira (26) após ser submetida a um procedimento de eutanásia legalmente autorizado na Espanha. Quatro dias antes do óbito, a jovem concedeu sua última entrevista à emissora Antena 3, onde desabafou sobre o sofrimento físico e emocional que motivou sua decisão e a longa batalha judicial que enfrentou contra o próprio pai para exercer esse direito.

Durante a conversa, Noelia foi enfática sobre a falta de perspectiva e o peso das dores diárias.

Sempre me senti sozinha, nunca me senti compreendida. Não gosto do rumo que o mundo e a sociedade estão tomando; prefiro desaparecer", declarou.

Diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de personalidade borderline, Noelia também convivia com as sequelas de uma tentativa de suicídio anterior que a deixou paraplégica e com dores crônicas nas costas e pernas.

CONFLITO FAMILIAR E DECISÃO JUDICIAL

O caso de Noelia tornou-se emblemático devido à resistência do pai, que tentou barrar o procedimento em diversas instâncias, inclusive em cortes europeias, alegando que a filha não possuía plena capacidade mental para decidir sobre a própria morte. No entanto, comissões médicas independentes e tribunais superiores mantiveram o entendimento de que ela atendia aos critérios da lei espanhola: quadro clínico irreversível, dependência funcional e sofrimento incapacitante.

A mãe de Noelia, Yolanda Ramos, embora admitisse a dificuldade em aceitar a escolha, acompanhou o processo.

Se ela não quiser viver, não aguento mais", afirmou Yolanda à imprensa, revelando o desgaste de três anos de tentativas de reverter o quadro psicológico da filha.

O Desfecho O procedimento ocorreu após 601 dias de avaliações e disputas. Em sua fala final, Noelia descartou qualquer arrependimento.

Não quero ser exemplo de ninguém, é simplesmente a minha vida. A felicidade de um pai ou de uma mãe não deve estar acima da felicidade de uma filha", concluiu.

A morte de Noelia Castillo reacende o debate global sobre a autonomia individual e os limites das legislações sobre a morte assistida.

Por: G1

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