A saúde mental dos professores da rede estadual de educação no Tocantins atinge um patamar preocupante. Mais de 1.700 profissionais foram afastados por questões relacionadas ao adoecimento mental entre janeiro e setembro de 2025, um número que supera o total de licenças concedidas em todo o ano de 2024. O número representa 22,29% do total de profissionais da rede estadual.
Na rede municipal de Palmas, foram concedidas 769 licenças médicas no ano de 2025, embora o município não tenha especificado os motivos dos afastamentos, citando sigilo profissional.
RELATOS DE SOBRECARGA E VIOLÊNCIA
Em entrevista, professores da rede pública relataram o que tem provocado a crise de saúde mental, citando:
Sobrecarga de trabalho: Excesso de projetos vindos "da cúpula" e burocracia do Sistema de Gestão Escolar (SGE), que exige o preenchimento repetido de informações e consome tempo nos finais de semana.
Violência e Desrespeito: Relatos de violência verbal e falta de respeito dos alunos, que "adoece mesmo" os profissionais.
Perseguição: Recém-concursados relatam "coação" e "assédio" por causa do período probatório, sentindo-se impedidos de solicitar licenças médicas.
Sintomas Físicos Graves: Uma professora relatou ter tido sintomas de crise de ansiedade tão severos que a fizeram sentir que estava prestes a ter um derrame ou ataque cardíaco.
O psicólogo Ladislau Ribeiro alerta que o adoecimento mental do professor, que pode se manifestar como a Síndrome de Burnout, é um problema coletivo que afeta a qualidade da educação.
RESPOSTAS DOS ÓRGÃOS ESTADUAIS
Seduc (Rede Estadual):
Informou que está implementando a Política Pública de Bem-Estar Profissional (Probem), focada em atenção ao bem-estar, valorização e qualidade de vida no trabalho.
Sobre o SGE, disse manter contato com a empresa para melhorias e criou um Comitê de Gestão para desburocratizar a ferramenta.
Semed (Rede Municipal de Palmas):
Afirmou manter o Programa Saúde do Educador, com protocolos voltados ao bem-estar, incluindo acolhimento e acompanhamento psicológico.
Falta de Acompanhamento Efetivo
Apesar dos programas, professores relatam que a assistência é insuficiente, citando eventos como um professor agredido com uma cadeirada em Palmas que só foi procurado pela equipe de bem-estar meses após o incidente.
O Sintet, sindicato da categoria, tem recebido denúncias de assédio moral e defende a necessidade de valorização financeira, ambiente de trabalho saudável e democracia nas escolas.
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