A advogada Laís Giselly Nunes de Araújo, de 31 anos, conhecida como a "candidata gênio" devido ao seu impressionante histórico de aprovações, voltou a figurar na lista de aprovados em um concurso de alto nível, mesmo sendo alvo de uma investigação por fraude da Polícia Federal (PF).
Laís foi aprovada para o cargo de analista de controle externo do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), cujo resultado foi divulgado nesta terça-feira (6/10). O concurso, que exige nível superior, oferece uma remuneração inicial de R$ 27.731,32. O TCE-PE chegou a suspender o resultado do certame para analisar o caso.
imagem: Metrópoles

DE "SUPERAPROVADA" A INVESTIGADA
O currículo de Laís inclui aprovações em cursos como Medicina e Direito em universidades federais, além de cargos como assistente administrativo e, mais recentemente, auditora fiscal do trabalho pelo Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024.
No entanto, desde 2022, Laís é investigada por suspeita de fraude em pelo menos 14 concursos públicos. O caso ganhou grande repercussão após a PF constatar que o gabarito da candidata no CNU 2024 era idêntico ao de Wanderlan Limeira de Sousa, ex-policial militar e apontado como líder de uma organização criminosa especializada em vender aprovações.
A PF classifica as aprovações de Laís como "estatisticamente improváveis" — a chance de coincidência casual no CNU, por exemplo, é comparada a ganhar na Mega-Sena 18 vezes seguidas.
imagem: Agência Gov

CONEXÃO COM O ESQUEMA CRIMINOSO
As investigações da Operação Última Fase revelaram que Laís seria uma das "clientes" da quadrilha, pagando para ter acesso a gabaritos e esquemas de fraude em diversos certames federais e estaduais.
A organização criminosa, liderada por Wanderlan Limeira de Sousa e com estrutura familiar, cobrava até R$ 500 mil por vaga e utilizava métodos sofisticados, como dublês, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e comunicação em tempo real com os candidatos. Os investigadores rastreiam transações financeiras para comprovar os pagamentos feitos por Laís ao grupo.
A quadrilha, que atuava há mais de dez anos, também fraudou concursos de grandes instituições como Polícia Federal, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
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