A Polícia Civil do Estado de São Paulo instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias da morte do pedreiro piauiense Rafael do Nascimento Gomes, de 36 anos. Natural do município de Boa Hora, no Piauí, ele residia há cerca de dois anos em uma kitnet na capital paulista e faleceu na última terça-feira (07) após ser baleado durante uma intervenção da Polícia Militar de São Paulo no bairro de Perus. A família da vítima contesta as versões iniciais de que o homem estaria cometendo crimes e aponta que ele passava por um quadro de provável surto psicótico no momento do ocorrido.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado sobre o caso, os policiais militares foram acionados por moradores da região que suspeitaram de uma tentativa de furto, após o homem quebrar o vitrô de sua própria residência e transitar por muros e telhados vizinhos. No documento oficial, os próprios agentes constataram que não houve a consumação de crime de furto ou roubo. A corporação alega, contudo, que durante o atendimento da ocorrência o homem teria tentado tomar a arma de um dos policiais, o que motivou a reação de outro integrante da guarnição, que efetuou três disparos contra o tórax, o ombro e o flanco da vítima.
CONTESTAÇÃO FAMILIAR E INDÍCIOS DE SURTO
Os familiares de Rafael refutam a narrativa de que ele seria assaltante e apresentaram evidências de que o trabalhador vinha manifestando comportamentos atípicos e ideações persecutórias nos dias anteriores. Registros em redes sociais mostram publicações nas quais o pedreiro afirmava estar sendo perseguido. Além disso, áudios enviados pela proprietária do imóvel alugado confirmavam o estado de agitação da vítima. O ambiente da kitnet foi localizado pelas autoridades totalmente revirado, sem energia elétrica e com fios espalhados, elementos que reforçam a tese de crise de saúde mental.
Durante a abordagem inicial, o empregador da vítima, que passava pelo local para conduzi-lo ao trabalho na madrugada, interveio ao ouvir os agentes associarem o homem a práticas delitivas na região, atestando a conduta regular e o histórico profissional do operário. Vídeos gravados por testemunhas no momento do desfecho da ocorrência mostram a vítima coberta de tinta branca antes de cair ao solo. O corpo foi encaminhado ao Pronto-Socorro de Perus, mas não resistiu aos ferimentos. A família realizou uma campanha de arrecadação financeira para custear o translado do corpo ao Piauí e aguarda a liberação oficial pelo Instituto Médico Legal (IML).
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