A histórica conquista do Atlético Piauiense no Brasileirão Feminino Série A3, o primeiro título nacional de uma equipe do estado, foi ofuscada por um lamentável episódio de machismo. Durante a transmissão da partida pela Rádio Verona, a narradora Luzikelly Oliveira e a comentarista Aline Miranda foram alvo de ataques misóginos e de preconceito, que circularam em um grupo de WhatsApp.
O episódio, que deveria ser de celebração, trouxe à tona o machismo estrutural que ainda atinge o esporte. Em um áudio, os comentários ofensivos questionavam a presença das mulheres no futebol, atacando diretamente a dignidade e a competência das profissionais.
Em resposta, a Rádio Verona e sua equipe esportiva, a Esporte Verona, emitiram uma nota de repúdio veemente. A emissora reafirmou sua posição contra toda e qualquer forma de preconceito e destacou que "o lugar de mulher é onde ela quiser e se sentir bem", garantindo apoio total às suas colaboradoras.

imagem: reproduçã0/instagram
DEPOIMENTO DAS PROFISSIONAIS E A REPOSTA DA RÁDIO
Em entrevista, uma das profissionais relatou que este não é o primeiro ataque que sofre, mas que a agressividade deste áudio a fez agir.
Ele já foi bem mais grosseiro nas palavras. Usou palavras de baixo calão que chegaram a ofender não só a mim, mas a todas as meninas que fazem esporte. Por isso que a gente resolveu ter um pouquinho mais de cautela com isso, porque isso não pode continuar", afirmou, em tom de indignação e resiliência.
Ela ainda encorajou outras mulheres a "não se deixar abater, não ter medo".
O diretor de transmissão da Rádio Verona também se manifestou sobre o ocorrido. Ele expressou a tristeza por ainda existirem pessoas com um "nível de preconceito, de machismo, de misoginia", mas garantiu que o incidente serviu para a equipe amadurecer ainda mais e fortalecer o compromisso de "dar mais oportunidades para as mulheres".
"O nosso trabalho é muito mais importante do que pensamentos pequenos como esse", concluiu.
Apesar da tristeza, o episódio reforçou a luta das mulheres no esporte piauiense, mostrando que, mesmo com um título histórico, a batalha por respeito e igualdade continua.

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